SADO/MASO

Todo ser humano é masoquista. Ao contrário dos outros animais, gostamos de sofrer. Os animais irracionais zelam pelo seu bem estar. Os animais racionais pagam pra sofrer.

Pagamos para ir num parque de diversões. A diversão do parque é entrar em um brinquedo pra sentir medo e sair do brinquedo pra vomitar.


Se quer conquistar uma pessoa esqueça flores, bons costumes e essas coisas. No jogo da paquera, ignore, gele, despreze. Isso sim deixará a outra pessoa caidinha por você, afinal, todos gostam de ser maltratados. E se um cara é chato com você e fica te mandando flores e não agüenta mais isso, não o despreze nem o maltrate. O trate bem. Isso fará ele perder o interesse e partir em busca de uma outra garota que esteja disposto a maltratá-lo. Quanto mais se maltrata, mais se fica no pé.

Mas os Homo-Sapiens não são apenas Masoquista. Antes fosse, assim fariam mal somente a si mesmos. Ele é acima de tudo Sádico.

Se um velho de uma perna só cair no meio da rua e vier um cachorro e mijar nele, com certeza vai rir da cena. Duvida? Você ri todo domingo de coisas assim nas "vídeos cassetadas". O sofrimento dos outros nos diverte.

Um filme legal de verdade só tem graça se o mocinho matar o vilão. Mas pra ficar melhor ainda o vilão antes de morrer tem que matar e maltratar muita gente, e depois, quando o mocinho pegar ele, não basta dar um tiro. Tem que ser uma morte bem lenta e sofrida, como o vilão matador merece.

Além de nos divertir, a desgraça alheia também serve para nos confortar:

- Nossa...fui muito mal na prova hoje... tirei 5 e você
- Eu fui pior do que você, tirei 4!
- Ufa! Me sinto melhor agora!

- Poxa, esse meu Brasil é um país de merda!
- Pelo menos não temos terremotos e guerras. Tem países na África que é mil vezes pior do que aqui!
- É verdade. Me sinto melhor agora sabendo disso, obrigado!


Nosso sadismo não se limita apenas em nos deleitarmos na desgraça dos nossos semelhantes. Precisamos também provocar a desgraça naqueles que não são nossos semelhantes.

Achamos doce o canto de um passarinho triste preso na gaiola. Ao invés de dar uma morte sem sofrimentos para uma barata com uma simples chinelada, preferimos envenená-la e vê-la se contorcer em uma morte lenta. Levamos nossos filhos para dar risadas dos animais chicoteados na jaula de um circo e assim formamos pequenos monstrinhos a nossa imagem e semelhança.

Essa vida tem mais momentos tristes do que alegres. As coisas dão mais errado do que certo. Todos dizem que o céu é um lugar lindo onde tudo é perfeito. E no entanto não queremos morrer pra ir pra lá. Preferimos ficar aqui, vivendo a nossa desventura e contemplando a desgraça alheia.

Isso é masoquismo misturado com sadismo.



Escrito por Danilo Zero às 12h11
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FORAS DE MORRER

Faleceu a mãe de um grande amigo nesse feriado. Sinto muito.
 
Entre o sentimento de perda, me veio à lembrança alguns foras que já presenciei (e protagonizei) nesse momento tão doloroso:


Eu com 5 anos, confortando meu pai, pela morte do meu avó:
- Calma pai. Não chore. Um dia você também vai morrer.

Um amigo da família cumprimentando meu pai nesse velório:
- Poxa. Seu pai faleceu. Meus parabéns...
- O quê?
- Meus pêsames...meus pêsames... Me perdôe. Eu sempre confundo essas palavras.
 
Uma velha que eu nem sabia quem era, me dando os pêsames:
- Olhe. Não fique chateado. Seu pai teve uma morte linda!
- Ele não foi um mártir. Apenas morreu. O que tem de linda nessa morte!
- Mas ele foi um homem excelente.
- Eu sei. Não tenho dúvidas disso. Talvez seria melhor a senhora dizer que ele teve uma vida linda.
- É. Mas a morte dele também foi linda.
- Você sabe como ele morreu?
- Não. Morreu de quê?


Uma vizinha cumprimentando minha mãe no velório do meu pai:
- Poxa vida. Que tristeza. Ele era um excelente marido. Um marido tão bom e morreu. E a desgraça do meu marido continua vivo ainda. Aquele canalha. Ele que devia morrer!


No velório do avó de um amigo nosso. Era de noite.
- Vamos lá embaixo ver os túmulos meninas?
- Vamos Milena.
- Que vontade de mijar.
- Mija aí mesmo.
- E aí meninas? Que estão fazendo aí?
- Não vem aqui não Danilo, a Milena tá mijando!
- No meio dos túmulos?
- É!
- Que falta de respeito! Vou lá zuar ela... Ae Milena mijona!
- Aiii... Sai daqui. Aí...me mijei toda por sua culpa.
- AHUuahuhahaUHaUHuahuhaUHau.

Um conhecido, lamentando a morte da mãe desse meu amigo nesse último dia de finados:
- Rogério. É uma pena. Eu nem sei o que dizer.
(abraça ele)
- Ela era uma mãe excelente. Tratavam vocês bem.
(começa a chorar)
- A minha mãe só me maltrata cara. Ela me judia muito. Poxa...o que eu fiz pra ela?
(Meu amigo teve que consolar o sujeito)


Tem horas que palavras não dizem nada. A hora da morte é uma delas. Aprendi a lição. Nunca digo nada nessa hora. Um só abraço. Minha presença nao vale muita coisa, mas nessa hora vale mais do qualquer palavra. Sem contar que é mais difícil errar fazendo simplesmente isso.



Escrito por Danilo Zero às 08h41
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